Bianca sempre levava muito a sério suas promessas e com essa não seria diferente. Se prometeu que teria que cumprir. E já haviam três dias desde a última vez que o vira.
__Oi, amor!
__Oi!
Os dois se abraçaram no vão de entrada. Ele acariciou sua nuca e beijou seu pescoço. Segurava uma garrafa de Calamares.
__Nossa, você trouxe vinho! A gente vai comemorar alguma coisa?
__Só a nossa existência.
Doía ouvi-lo dizer isso.
__Hum, que bom que comprei Camembert, então! -disse pegando o vinho e indo até a cozinha.
Ele a seguiu e se escorou na bancada perto da pia enquanto ela arranjava copos.
__Ah, seu irmão ligou e disse que queria ir no bar hoje.
__O quê? O quê que o Bruno quer, hein? Quinta, sexta, hoje ...
__Ué, Samuel, de repente ele só quer recuperar o tempo que perdeu quando viajou! Foram cinco anos!
__Mas o problema não é esse! Eu só queria poder ficar uns dias só, com você!
Disse isso agarrando Bianca por tras e beijando seu ombro. Ela sorriu. Realmente fazia tempo que os dois não ficavam sozinhos.
__Espera, deixa eu terminar!
Ela encheu as taças com o vinho branco e deu uma a ele.
__À nós! -ele bateu sua taça a dela, sorrindo.
__À nós! -ela disse baixinho.
Samuel deu um gole e a beijou com ternura. Ela o abraçou.
__Ás vezes ... eu acho que você só é fruto da minha imaginação ...
Ele franziu a testa rindo.
__Lá vem você com essa conversa de novo ... Eu sou real! Eu tô aqui!
Ele pousou sua taça sobre a bancada, pegou as duas mãos de Bianca e apertou nos bolsos de trás da sua calça.
__Sente aqui, carne e osso! Se bem que aqui é mais osso que carne ...
Ela riu e beijou seu queixo, puxando-o até o quarto. Quando sentiu o corpo dele sobre o dela percebeu o quanto ele estava quente.
__Você tá bem? Parece com febre!
__O quê? Não, tô ótimo! -ele deu um sorriso safado- Melhor impossível!
Seus quadris se encaixavam perfeitamente e o ar no quarto foi se tornando denso e morno com o movimento contínuo que Samuel chamava de amor e Bianca de sexo. Aquele fim de tarde foi o melhor que ja tiveram. E depois que encontraram com Bruno, ele teve que voltar pra casa porque esquecera de entregar uma papelada a um colega de trabalho, talvez tivesse que resolver isso nos próximos dias. Era um caso complicado. Foi a última vez que o viu.
Bruno ligou dizendo que recebera uma chamada dele ás quatro da manhã e perguntou se estava com ela. Foi quando descobriram que ele estava desaparecido. E quando ouviu a vóz de Bruno falhar ela prometeu que encontraria Samuel a qualquer custo. Mas foi só quando desligou o telefone e respirou fundo que percebeu que seu rosto estava molhado.
Vale um
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
sábado, 30 de outubro de 2010
O Novo Rei - parte 1.1
Sua cabeça latejava de dor e sua vista estava embaçada. Por não conseguir enxergar começou a tatear o chão úmido. O lugar cheirava terra molhada e carne em putrefação. Ouvia-se pingos e chiados de ratos. Samuel enxugou as mãos na calça suja do que parecia terra e esfregou os olhos com os nós dos dedos. Estava escuro mas aos poucos sua visão foi melhorando. O lugar era um túnel de ossos e não tinha mais do que um metro e meio de altura por largura. Tão comprido que não dava para ver onde terminava. Seus movimentos eram repetidos pelo eco, o que confundia ainda mais os seus sentidos. Não sabia onde estava nem como havia parado ali.
A única luz que iluminava a cena era de seu celular como flip aberto. Uma luz azulada que deixava o local ainda mais macabro, se é que isso fosse possível. As paredes eram sustentadas com ossos de fêmur e úmero. O teto era de colunas vertebrais e o chão de crânios.
Suas narinas ardiam ao respirar aquele ar gélido e denso. Sua boca estava com um gosto amargo e fétida. Pegou o celular e o levantou tentando iluminar o fim do túnel mas só o que conseguiu ver foi mais escuridão em ambas as direções, como já previa. Seu corpo tremia de frio ou de medo, não sabia ao certo. Samuel resolveu então tentar encontrar uma saída daquele lugar. Começou a engatinhar para o lado do túnel que subia. Pensou que se estava debaixo da terra só encontraria uma saída subindo.
Suas mãos doíam muito pois estavam retalhadas como se ele as tivesse enrolado em linha de pesca e apertado até o sangue brotar.. Mas continuou engatinhando sentindo a terra entrar lentamente nas feridas. Uma dor aguda na costa o forçava a mantê-la curvada dificultando sua respiração. O celular pendurado na boca apitou indicando que a bateria estava prestes a acabar. Samuel que estava tentando manter-se calmo, soltou um suspiro como se fosse chorar.
__Mas que droga! – ele sussurrou.
Fechou o celular, encostou o corpo do lado direito do túnel e começou a soluçar na escuridão. Seus soluços eram repetidos pelo eco como se não fosse a única pessoa ali. De repente um ruído o obrigou a calar-se. Parecia que algo pesado era arrastado bem lentamente pelo túnel e parecia próximo. Samuel pensou um tempo se abria ou não o flip do celular. O pior passou pela sua cabeça. O ruído já estava tão próximo que ele tinha certeza: se esticasse o braço tocaria no que quer que fosse. Um gemido feminino o fez lembrar-se de Bianca. E se fosse ela? Abriu rapidamente o flip mas não havia nada. Nem a sua direita nem a esquerda. O celular apitou e Samuel o fechou perdendo-se na escuridão novamente.
Cerrou os olhos e viu o rosto de Bianca bem próximo ao seu. Lembrou-se daqueles olhos castanho- avermelhados, daquela pele branca e macia queimada do sol, daqueles lábios vermelhos mas sempre frios. Pôde até sentir o cheiro doce e embriagante daquele perfume que ela tanto gostava.
Seus olhos se arregalaram. Como não havia pensado naquilo antes? Abriu o celular e viu que o sinal era fraco mas talvez o suficiente para uma ligação.. O celular apitou. Torceu e ligou para o primeiro número da agenda: Bianca. Tocou uma. Duas. Três. Quatro. Na quinta vez Samuel perdeu as esperanças e desligou. Resolveu ligar para o segundo nome, seu irmão. Tocou uma. “Vai, Bruno! Atende!” Tocou duas. “Anda, maninho!” Tocou três vezes e uma voz baixa e grave atendeu.
__Alô ...
O celular deu um último aviso e desligou, deixando novamente na escuridão. Alguns segundos se passaram até Samuel entender o que havia acabado de acontecer. Cravou os dedos nos crânios no chão. Sua respiração ficou ofegante e rápida e seu coração estava prestes a explodir. O suor descia em fios deslizando pelo seu corpo e esfriando rapidamente. Seu grito foi abafado por uma sirene aguda que vinha de todos os lados.
Samuel começou a engatinhar rapidamente pelo túnel na direção contrária de onde viera e sentiu que começava a descer. O cheiro de carne em putrefação só aumentava e o frio também. Como havia chegado ali? Que lugar era aquele? Nem sequer lembrava-se do que fazia antes de acordar ali.
Sua mãos já não ardiam mas o suor que percorria sua costa fez a ardência aumentar. Parou tentando respirar com dificuldade. Pousou as mãos sobre as pernas e apalpou os bolsos. Tentou descobrir se havia algo que pudesse ajudá-lo. Pegou o que parecia ser um isqueiro e uma caixinha que ignorou. Samuel não fumava mas Bruno sim. Não se lembrava de como havia conseguido aquilo mas agradeceu o mau hábito do irmão.
A sirene se calou e o túnel começo a tremer levemente. Ele acendeu o isqueiro e observou. Nada. Resolveu engatinhar mais rápido e percebeu que o chão tornava-s mais íngreme. Os crânios no chão estavam molhados fazendo escorregar. As feridas em suas mãos estavam cheias de terra, mas isso já não lhe causava dor. O túnel tremia cada vez mais. Samuel perdeu o equilíbrio, bateu a boca no chão e escorregou de cabeça pelo túnel sentindo os ossos e a terra arranharem seu abdome. Sempre descendo. Gemeu com a dor em sua costa agora reta e sentiu um gosto forte de sangue na boca.
Sua respiração foi dificultada pela batida ritmada dos crânios em seu peito. De repente o chão sumiu e o ar passou rápido ao seu redor. Samuel ouviu um silvo agudo e caiu de costa numa terra fofa que amenizou o baque de seu corpo, mas penetrou como água em suas feridas. Ele tossiu e acendeu o isqueiro rapidamente. A luz amarela, apesar de pouca, iluminou bastante ao seu redor. A terra negra levantou uma poeira densa e escura. Um reflexo a sua frente mostrou que havia água. Um lago de águas escuras.
Era uma caverna de teto tão alto que a luz, mesmo refletida, sequer alcançava. O lago era margeado por uma passarela estreita. Samuel olhou para cima procurando o túnel de onde havia caído. Não achou abertura alguma, só escuridão. Levantou-se devagar apoiando-se nos joelho e caminhou até a pequena passarela á esquerda. Foi acendendo as tochas no caminho, cravadas na parede de pedra sobre pedra. O lugar foi ficando mais iluminado a medida que ele se aproximava do outro lado do grande lago. As feridas em seus pés coçavam muito. A dor que sentia na costa estava mais amena, sua respiração menos ofegante e caminhava menos curvado. Seus músculos formigavam por todo o corpo. Parou alguns instantes, ao lado de uma tocha, e enterrou os pés debaixo da terra fria para diminuir a coceira. Deixou o sangue acumular na boca e cuspiu no lago. Observou o cuspe cair na superfície e perturbar a camada lisa e espelhada. Apesar das condições Samuel achou aquele lugar especial. Observou a tocha, feita do que parecia ferro, toda enferrujada e pensou se conseguiria arrancá-la. De repente ouviu um barulho vindo do lago e virou-se para ver. De onde o sangue havia caído brotavam pequenas bolhas que foram aumentando de tamanho. Uma leve fumaça se formou na superfície do lago e de verde escuro tornou-se vermelho ferrugem. Samuel não descobriu ao certo se era seu corpo ou o lugar que começava a esquentar. Resolveu arrancar a tocha e com apenas um puxão ouviu um estampido. Conseguiu tira-la com êxito. Olhando para o lago continuou sua caminhada, só que desta vez mais próximo da parede. Tentou lembrar-se do que fazia antes de chegar aquele lugar. O cheiro de carne em putrefação era cada vez mais forte, mas já não o incomodava. Só queria sair dali. Seus olhos lacrimejavam e as lágrimas, a medida que escorriam, misturavam-se com terra e sangue ficando da cor do lago.
A cada passo que dava aumentava a certeza de que não sairia dali tai cedo. Passou a costa da mão sobre a testa enxugando-a e sentindo os pequenos grãos de terra arranhando sua pele fria. Encostou a mão sobre uma das pedras e sentiu que um ar quente saia entre suas frestas. Após uma longa caminhada Samuel começou a pensar que só podia estar sonhando. Queria acordar logo. No fim da passarela e do lago ele se surpreendeu ainda mais. Um longo e enorme corredor de mármore branco com colunas gregas o esperava.
Samuel acendeu uma das tochas que estavam nas primeiras colunas e todas as outras, até onde a vista se perdia acenderam-se também. O fogo era verde naquele lugar. Entre cada coluna haviam quadro e esculturas macabras de anjos, demônios e humanos lutando ou em harmonia..
O mármore estava morno e a cada passo que Samuel dava o chão tingia-se com seu sangue. Sentia-se observado de alguma forma e, por várias vezes torceu o pescoço observando atentamente tudo. Sua barriga roncou alto reclamando de fome. Ele pousou uma das mãos sobre o abdome e o sentiu vibrar. Não podia fazer nada. De repente um som de violino ao longe foi ouvido. Tocava uma música triste, mas belíssima. Apertou o passo ouvindo a música cada vez mais alto.
A única luz que iluminava a cena era de seu celular como flip aberto. Uma luz azulada que deixava o local ainda mais macabro, se é que isso fosse possível. As paredes eram sustentadas com ossos de fêmur e úmero. O teto era de colunas vertebrais e o chão de crânios.
Suas narinas ardiam ao respirar aquele ar gélido e denso. Sua boca estava com um gosto amargo e fétida. Pegou o celular e o levantou tentando iluminar o fim do túnel mas só o que conseguiu ver foi mais escuridão em ambas as direções, como já previa. Seu corpo tremia de frio ou de medo, não sabia ao certo. Samuel resolveu então tentar encontrar uma saída daquele lugar. Começou a engatinhar para o lado do túnel que subia. Pensou que se estava debaixo da terra só encontraria uma saída subindo.
Suas mãos doíam muito pois estavam retalhadas como se ele as tivesse enrolado em linha de pesca e apertado até o sangue brotar.. Mas continuou engatinhando sentindo a terra entrar lentamente nas feridas. Uma dor aguda na costa o forçava a mantê-la curvada dificultando sua respiração. O celular pendurado na boca apitou indicando que a bateria estava prestes a acabar. Samuel que estava tentando manter-se calmo, soltou um suspiro como se fosse chorar.
__Mas que droga! – ele sussurrou.
Fechou o celular, encostou o corpo do lado direito do túnel e começou a soluçar na escuridão. Seus soluços eram repetidos pelo eco como se não fosse a única pessoa ali. De repente um ruído o obrigou a calar-se. Parecia que algo pesado era arrastado bem lentamente pelo túnel e parecia próximo. Samuel pensou um tempo se abria ou não o flip do celular. O pior passou pela sua cabeça. O ruído já estava tão próximo que ele tinha certeza: se esticasse o braço tocaria no que quer que fosse. Um gemido feminino o fez lembrar-se de Bianca. E se fosse ela? Abriu rapidamente o flip mas não havia nada. Nem a sua direita nem a esquerda. O celular apitou e Samuel o fechou perdendo-se na escuridão novamente.
Cerrou os olhos e viu o rosto de Bianca bem próximo ao seu. Lembrou-se daqueles olhos castanho- avermelhados, daquela pele branca e macia queimada do sol, daqueles lábios vermelhos mas sempre frios. Pôde até sentir o cheiro doce e embriagante daquele perfume que ela tanto gostava.
Seus olhos se arregalaram. Como não havia pensado naquilo antes? Abriu o celular e viu que o sinal era fraco mas talvez o suficiente para uma ligação.. O celular apitou. Torceu e ligou para o primeiro número da agenda: Bianca. Tocou uma. Duas. Três. Quatro. Na quinta vez Samuel perdeu as esperanças e desligou. Resolveu ligar para o segundo nome, seu irmão. Tocou uma. “Vai, Bruno! Atende!” Tocou duas. “Anda, maninho!” Tocou três vezes e uma voz baixa e grave atendeu.
__Alô ...
O celular deu um último aviso e desligou, deixando novamente na escuridão. Alguns segundos se passaram até Samuel entender o que havia acabado de acontecer. Cravou os dedos nos crânios no chão. Sua respiração ficou ofegante e rápida e seu coração estava prestes a explodir. O suor descia em fios deslizando pelo seu corpo e esfriando rapidamente. Seu grito foi abafado por uma sirene aguda que vinha de todos os lados.
Samuel começou a engatinhar rapidamente pelo túnel na direção contrária de onde viera e sentiu que começava a descer. O cheiro de carne em putrefação só aumentava e o frio também. Como havia chegado ali? Que lugar era aquele? Nem sequer lembrava-se do que fazia antes de acordar ali.
Sua mãos já não ardiam mas o suor que percorria sua costa fez a ardência aumentar. Parou tentando respirar com dificuldade. Pousou as mãos sobre as pernas e apalpou os bolsos. Tentou descobrir se havia algo que pudesse ajudá-lo. Pegou o que parecia ser um isqueiro e uma caixinha que ignorou. Samuel não fumava mas Bruno sim. Não se lembrava de como havia conseguido aquilo mas agradeceu o mau hábito do irmão.
A sirene se calou e o túnel começo a tremer levemente. Ele acendeu o isqueiro e observou. Nada. Resolveu engatinhar mais rápido e percebeu que o chão tornava-s mais íngreme. Os crânios no chão estavam molhados fazendo escorregar. As feridas em suas mãos estavam cheias de terra, mas isso já não lhe causava dor. O túnel tremia cada vez mais. Samuel perdeu o equilíbrio, bateu a boca no chão e escorregou de cabeça pelo túnel sentindo os ossos e a terra arranharem seu abdome. Sempre descendo. Gemeu com a dor em sua costa agora reta e sentiu um gosto forte de sangue na boca.
Sua respiração foi dificultada pela batida ritmada dos crânios em seu peito. De repente o chão sumiu e o ar passou rápido ao seu redor. Samuel ouviu um silvo agudo e caiu de costa numa terra fofa que amenizou o baque de seu corpo, mas penetrou como água em suas feridas. Ele tossiu e acendeu o isqueiro rapidamente. A luz amarela, apesar de pouca, iluminou bastante ao seu redor. A terra negra levantou uma poeira densa e escura. Um reflexo a sua frente mostrou que havia água. Um lago de águas escuras.
Era uma caverna de teto tão alto que a luz, mesmo refletida, sequer alcançava. O lago era margeado por uma passarela estreita. Samuel olhou para cima procurando o túnel de onde havia caído. Não achou abertura alguma, só escuridão. Levantou-se devagar apoiando-se nos joelho e caminhou até a pequena passarela á esquerda. Foi acendendo as tochas no caminho, cravadas na parede de pedra sobre pedra. O lugar foi ficando mais iluminado a medida que ele se aproximava do outro lado do grande lago. As feridas em seus pés coçavam muito. A dor que sentia na costa estava mais amena, sua respiração menos ofegante e caminhava menos curvado. Seus músculos formigavam por todo o corpo. Parou alguns instantes, ao lado de uma tocha, e enterrou os pés debaixo da terra fria para diminuir a coceira. Deixou o sangue acumular na boca e cuspiu no lago. Observou o cuspe cair na superfície e perturbar a camada lisa e espelhada. Apesar das condições Samuel achou aquele lugar especial. Observou a tocha, feita do que parecia ferro, toda enferrujada e pensou se conseguiria arrancá-la. De repente ouviu um barulho vindo do lago e virou-se para ver. De onde o sangue havia caído brotavam pequenas bolhas que foram aumentando de tamanho. Uma leve fumaça se formou na superfície do lago e de verde escuro tornou-se vermelho ferrugem. Samuel não descobriu ao certo se era seu corpo ou o lugar que começava a esquentar. Resolveu arrancar a tocha e com apenas um puxão ouviu um estampido. Conseguiu tira-la com êxito. Olhando para o lago continuou sua caminhada, só que desta vez mais próximo da parede. Tentou lembrar-se do que fazia antes de chegar aquele lugar. O cheiro de carne em putrefação era cada vez mais forte, mas já não o incomodava. Só queria sair dali. Seus olhos lacrimejavam e as lágrimas, a medida que escorriam, misturavam-se com terra e sangue ficando da cor do lago.
A cada passo que dava aumentava a certeza de que não sairia dali tai cedo. Passou a costa da mão sobre a testa enxugando-a e sentindo os pequenos grãos de terra arranhando sua pele fria. Encostou a mão sobre uma das pedras e sentiu que um ar quente saia entre suas frestas. Após uma longa caminhada Samuel começou a pensar que só podia estar sonhando. Queria acordar logo. No fim da passarela e do lago ele se surpreendeu ainda mais. Um longo e enorme corredor de mármore branco com colunas gregas o esperava.
Samuel acendeu uma das tochas que estavam nas primeiras colunas e todas as outras, até onde a vista se perdia acenderam-se também. O fogo era verde naquele lugar. Entre cada coluna haviam quadro e esculturas macabras de anjos, demônios e humanos lutando ou em harmonia..
O mármore estava morno e a cada passo que Samuel dava o chão tingia-se com seu sangue. Sentia-se observado de alguma forma e, por várias vezes torceu o pescoço observando atentamente tudo. Sua barriga roncou alto reclamando de fome. Ele pousou uma das mãos sobre o abdome e o sentiu vibrar. Não podia fazer nada. De repente um som de violino ao longe foi ouvido. Tocava uma música triste, mas belíssima. Apertou o passo ouvindo a música cada vez mais alto.
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